quarta-feira , 19 de setembro de 2018
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E por que não ter a própria editora independente?

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Eu escrevo desde menino, mas a decisão de tornar-me um autor publicado surgiu em 2010, quando comecei a escrever meu primeiro livro. Desconhecendo completamente o mercado, procurei uma editora para publicar a obra. Entrei em contato com algumas editoras e tive retorno da maioria delas, sempre com o orçamento pronto do quanto deveria investir para publicar. Até aquele momento, eu acreditava que todos os autores pagavam para publicar suas obras, com raríssimas exceções, mas a verdade está bem longe disso.

Em 2015 o livro foi publicado. Eu e o coautor da obra vendemos cerca de cem exemplares somente no dia lançamento, e mesmo seguindo todas as orientações da editora, ainda tivemos que desembolsar uma bela grana pela tiragem proposta, que hoje sabemos ser completamente incompatível com o mercado no Brasil. O livro passou por uma boa revisão e editoração, é verdade, mas a arte da capa apresentada era inviável, foram três propostas, todas elas abaixo de qualquer expectativa, isso para ser gentil, então, aproveitei minhas habilidades como designer e fiz o trabalho do capista. Entrei em contato com o autor da fotografia que ilustra a capa, negociei os termos de cessão e fiz a minha primeira capa de livro.

Fizemos o lançamento do livro no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília, perdi a conta de quantos livros vendemos, presencialmente e pela internet. Três anos depois ainda não recebemos relatórios sobre a venda do livro pela editora. Não recebemos também qualquer valor pela obra, e quando questionamos, fomos informados que nenhum livro foi vendido por eles, mesmo a obra estando disponível no Shoptime, Americanas e Submarino, além do site da própria editora. Diferente do que prometeram ao assinar o contrato, nenhuma ação de marketing foi feita, o livro também não foi convertido para qualquer plataforma digital, não temos o e-book dele até o presente momento. Ah, o livro também não está em nenhuma livraria física, a não ser aquelas que levamos pessoalmente para tentar vender a obra.

Eu participei de alguns concursos literários para coletâneas de contos, após ser um dos escolhidos, era preciso pagar para que o conto fosse publicado, e na maioria absoluta deles, a informação sobre o pagamento só surgia depois de receber a notícia de que o seu texto foi um dos escolhidos para a publicação. Pelo menos nesses casos havia revisão, editoração e um capa minimamente aceitável. Outras participações, como livros acadêmicos, também tive que custear a obra. Para não ser injusto, já participei de publicações que não me cobraram nada e ainda me enviaram exemplares após ganhar o concurso.

Fiz alguns testes de publicação independente de contos na Amazon, e foi completamente satisfatório. O relatório é justo, eles sempre me pagam mensalmente e vislumbrei a ideia de no futuro lançar um livro de contos por lá. Assisti a vários vídeos sobre publicação independente, li livros e a cada dia fico mais convencido de que se pretendo ganhar algum dinheiro escrevendo no Brasil, ou ao menos não tendo prejuízo, salvo raras exceções, é preciso publicar de forma independente.

Em 2016 lancei o meu segundo livro, dessa vez como autor único da obra. Após as vendas do meu primeiro livro, e do certo destaque que recebi devido ao segmento, não foi difícil encontrar uma outra editora para publicar. Para que nada fosse pago, nem revisão eu teria direito. Então tive que ser responsável pela revisão, não feita por mim obviamente, e também pela capa, mais uma vez. Eles organizaram o lançamento, vendi bem menos que o primeiro exemplar e tive que custear 70% da produção do livro. Recebi permissão para criar o e-book e colocá-lo a venda. Até hoje, não recebi royalties sobre qualquer venda do livro, ainda que o painel do autor na editora mostre que eles venderam mais de cem exemplares. Eu pessoalmente vendi mais de cem livros, principalmente pela internet. Nunca vi o livro em qualquer livraria física. Ao menos participei da bienal como autor, um momento de grande valia pra mim e agradeço muito todo o esforço do editor responsável pelo selo desta editora, que hoje considero um grande amigo.

Vamos lá, escrevi o livro, fiz a capa, fiz a revisão, criei o e-book para colocar uma versão digital a venda, fui responsável pelo marketing e pelas vendas do livro físico e ainda paguei pela impressão. Só me faltou a editoração em si para produzir o livro do início ao fim. Quantos livros de fato as editoras vendem sem comunicar ao autor e pagar o preço combinado? Nunca vamos saber, é apenas uma relação de confiança, já que livros não são numerados.

Procurei algumas editoras para a publicação do meu novo livro que sai no próximo mês, e as propostas apresentadas, todas envolviam custear o projeto. A experiência já me mostrou o que aconteceria, eu seria responsável por quase tudo na obra e ganharia quase nada com isso. Sem falar no investimento que teria de fazer para que o livro fosse publicado. Decidi não fazer mais isso (assim como decidi, faz tempo, não participar mais de qualquer concurso literário que envolva investimento financeiro).

Fiz mais de um curso sobre editoração de livros e também já aprendi a utilizar o software de editoração padrão de mercado, decidindo (salvo raras exceções futuras) publicar eu mesmo meus próprios livros e futuramente atender a essa demanda do mercado, oferecendo SIM serviços pagos para autores, como revisão, registro de ISBN, ficha catalográfica e etc., mas também possibilitando a publicação SEM CUSTO de obras que venhamos considerar interessantes, bem escritas e com temas relevantes, sendo elas romances ou não.

Sendo assim, anuncio que o livro “As Alucinações de Serguei”, a biografia oficial do roqueiro, escrita em parceria com o escritor Paulo-Roberto Andel, será lançada pela Cartola Editora, projeto desenvolvido por mim e pela Janaína Storfe, responsável pela revisão dos meus livros e também por dividir a vida comigo.

Mais detalhes do projeto você pode conferir em: www.cartolaeditora.com.br

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Sobre Rodrigo Barros

Rodrigo Barros
Empreendedor e escritor, Rodrigo Barros é bacharel em Biblioteconomia e em Sistemas de Informação, com pós-graduação em Gerência de Projetos e MBA em Gestão de Marketing.

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