quarta-feira , 16 de janeiro de 2019
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Inútil bradar que a dor não passa

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Ilmo. Senhor (ou receita para educar o filhinho de alguém),

Ouça um bom conselho que eu lhe dou de graça, inútil bradar que a dor não passa. Pouco adianta flutuar no ar como se fosse um príncipe e acabar no chão como um pacote bêbado. Não importa de que lado da construção estamos, devemos respeitar quem pensa e age diferente. Tampouco adianta compartilhar pelas redes sociais atos hostis de terceiros, normalmente com opiniões diferentes da sua, visando desmerecer e desqualificar o ato contra Chico Buarque. Todos são reprováveis.

Chegamos à era da bipolarização da intolerância. Não temos mais diálogo e o debate de ideias ficou para trás. Não há mais paz no coração, esse se tornou um pote até aqui de mágoas, qualquer desatenção pode ser a gota d´água e não queremos que o caldo entorne. Se a eleição ficou no passado recente, o resultado ainda ressente. Entendo que existam aqueles que sentem saudade dos tempos de outrora, quando outro partido governou o Brasil, mas às vezes a saudade é o pior tormento, é pior do que o esquecimento, é pior do que se entrevar.

Não se escandalize com o fato de um de nossos maiores artistas ter um apartamento em Paris ou morar no Leblon, isso foi conquistado com o fruto de seu trabalho e, ainda que fosse herança, não seria nenhum mal, nem para você e nem para a sociedade. Esqueça o bordão “esquerda caviar”, ou o “é socialista mas tem iPhone”, porque ficamos com a impressão de que você se magoa pelo fato do caviar, ou do iPhone, não ser exclusividade sua. Fique tranquilo, não tenho um aparelho como esse e sequer gosto de caviar. Deixe cada um ter o que puder ter e pensar o que quiser pensar.

Caso as coisas não estejam bem como você queria, também não adianta querer deixar tudo por aqui e partir para a mesma Paris que hoje você condena. Não se afobe não que nada é pra já, bola pra frente, porque apesar de você amanhã há de ser outro dia e quem sabe nesse dia, por descuido da poesia, você goste de ficar?

Um abraço de um irmão… que não é “Alemão”.

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Sobre Rodrigo Barros

Rodrigo Barros
Empreendedor e escritor, Rodrigo Barros é bacharel em Biblioteconomia e em Sistemas de Informação, com pós-graduação em Gerência de Projetos e MBA em Gestão de Marketing.

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