Antes de começar a desenvolver meu pensamento no decorrer deste texto, gostaria de salientar que sou solidário a toda e qualquer pessoa pública, ou não, que é ofendida seja através das redes sociais, ou ao vivo. Todos temos o direito de expressar nossos pensamentos, sem sermos ofendidos pelo que pensamos. Eu mesmo convivo diariamente com xingamentos em redes sociais. Faz parte do jogo, ainda que eu não concorde com as regras.

Não tenho por hábito ler a coluna da Miriam Leitão no jornal O Globo, menos ainda acompanhá-la no Globonews. Uma escolha pessoal, já que acredito que suas análises sobre a economia do país possuem viés político, não avaliam de fato o cenário econômico. Essa percepção vem do Bom Dia Brasil, jornal matinal que assisto diariamente, e lá, Miriam está sempre traçando o panorama sob o ponto de vista que lhe convém. Soube através das redes sociais, que a jornalista havia sido agredida verbalmente por delegados do Partido dos Trabalhadores em um voo da Avianca, saindo de Brasília, rumo ao Rio de Janeiro. O episódio é descrito em sua coluna, e pode ser lido na íntegra AQUI.

Li com atenção cada uma de suas palavras, mas esperei que novas evidências sobre o ocorrido surgissem, antes de emitir opinião sobre o fato. Repito o que disse anteriormente, não sou a favor que pessoas públicas, ou não, sejam importunadas em locais públicos ou na Internet, seja em razão de seus pensamentos políticos, religiosos ou sobre qualquer outro tema. Vale ressaltar ainda, que na dicotomia política atual, extremos de ambas as partes são comuns em todas as esferas, e não duvido que delegados de partidos possam ter essa postura. Aguardei o surgimento de algum vídeo que comprovasse a denúncia da jornalista. Até o presente momento, nada apareceu ilustrando o que foi denunciado por ela. Alguns passageiros do mesmo voo negaram o fato, relatando que as críticas não foram pessoais e sim voltadas contra a Rede Globo de televisão. O vídeo abaixo referenda a versão desses passageiros:

Por diversos motivos, acredito que a mídia está sempre disposta a manipular os fatos defendendo seus interesses, e a Rede Globo é especialista no assunto, já que até o diretor José Bonifácio, o Boni, admitiu publicamente a manipulação do debate presidencial entre os então candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Collor de Mello, em 1989. A Rede Globo de televisão visa seus próprios interesses, não só apoiou o Collor, como também apoiou seu Impeachment, apoiou o PT quando era de seu interesse e posteriormente apoiou o Impeachment da então presidenta Dilma. Agora, ajuda a massacrar publicamente o atual presidente Michel Temer, que ela ajudou a colocar onde está enquanto massacrava o PT. Natural que cidadãos engajados na política critiquem essa postura da emissora, e a Miriam Leitão é a porta-voz da mesma.

Em seu texto, publicado dez dias após o ocorrido, sem o registro de um boletim de ocorrência, Miriam afirma que foi hostilizada por todo o voo, e que “ameaçaram atacar fisicamente a emissora”, relembrando episódios de vandalismo na redação do jornal O Globo, após o suicídio de Getúlio Vargas, que segundo a jornalista é um desconhecimento histórico, pois a emissora teria sido fundada onze anos depois do episódio. De fato, Getúlio suicidou no dia 24 de agosto de 1954 e a Rede Globo de Televisão foi oficialmente inaugurada no dia 26 de abril de 1965. Contudo, o grupo globo através de seu principal jornal, está na ativa desde julho de 1925.

Miriam diz ainda ter sido chamada de “terrorista” por militantes petistas, e relembra que ironicamente foi chamada de terrorista quando aos 19 anos foi detida em um quartel do exército pela ditadura militar. Em 1972, Miriam Leitão (pasmem) era militante do Partido Comunista do Brasil e foi presa e torturada pela ditadura. Ironia mesmo está no fato de a jovem comunista ser hoje porta-voz da emissora que apoiou o golpe militar de 1964. Esse fato não é meramente opinião desse que vos escreve, é fato notório e admitido publicamente através do editorial do jornal O Globo, em agosto de 2013.

A professora de urbanismo da Universidade Federal Fluminense, Lúcia Capanema, havia emitido nota criticando a entrada de um agente da Polícia Federal que dentro da aeronave e sem se identificar, intimidou e interrogou os demais passageiros a pedido do comandante. Todo o voo foi gravado pelo comissário, fato confirmado em nota oficial pela companhia aérea, que justificou a solicitação “após a tripulação detectar um tumulto a bordo que poderia atentar à segurança operacional e à integridade dos passageiros”. Segundo Lúcia, apesar do constrangimento, o voo seguiu sem maiores problemas durante as horas em que esteve no ar. Imagino que o registro em vídeo feito pelo comissário de bordo deva servir para fazermos o “tira teima”.

Para finalizar sua coluna, Miriam Leitão ainda criticou a postura de Luiz Inácio Lula da Silva que em comícios e reuniões partidárias citou seu nome, afirmando que não deve ser alvo nem do PT e nem de Lula, já que é apenas uma jornalista fazendo o seu trabalho. O recado foi dado, e pelo histórico recente, sabemos bem o objetivo de tal denúncia: a manipulação da opinião pública visando as eleições para presidente que ocorrerão em 2018, se nada de diferente acontecer até lá.

Como era de se esperar, o púbico se dividiu entre atacar e defender a jornalista. Curiosamente, muitos dos que a defendem contra as ofensas supostamente proferidas, são os mesmos que aplaudiram um estádio inteiro xingando Dilma Roussef na abertura da Copa do Mundo, em 2014. Porque ofensa boa, é a ofensa contra aqueles que representam um pensamento contrário ao meu.

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Rodrigo Barros

Escritor e roteirista, Rodrigo Barros é bacharel em Biblioteconomia e em Sistemas de Informação, com pós-graduação em Gerência de Projetos e MBA em Gestão de Marketing. Seu último livro lançado é “Da Rebelião à Glória”, pela Editora Multifoco, em 2016.

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