sábado , 24 de agosto de 2019
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Nunca será só futebol

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Às vezes, percebo-me chateado com as coisas que acontecem com o time que carrego em meu peito, desde o milagroso instante em que o meu coração pulsou pela primeira vez. Podem ser apenas derrotas simples, frustrações com a política do clube, eliminações ou goleadas vexatórias. Prefiro desligar-me desse universo e finjo acreditar que não existem motivos para tristezas ou frustrações, afinal, tudo se trata apenas de futebol.

A tragédia ocorrida com a delegação da Chapecoense que levou a óbito jogadores, membros da comissão técnica e jornalistas, às vésperas da importantíssima final que o clube disputaria, trouxe ao Brasil, não somente o sentimento de tristeza, como também uma onda de solidariedade e espírito esportivo, unindo torcedores dos mais diversos times e militantes de filosofias políticas mais incompatíveis. Em um tempo em que o ódio parece soberano nos estádios, bares, ruas e redes sociais, é de se admirar que isso ocorra.

A imagem que ilustra este texto levou-me às lágrimas assim que a vi pela primeira vez. Não sei ao certo se a fotografia foi tirada no dia de hoje ou se a tristeza aparente do pequeno torcedor tem alguma ligação com o acidente, contudo, ela me fez lembrar do pequeno torcedor que fui. Uma época pura, em que eu não fazia ideia do salário recebido pelos jogadores, do valor pago pela televisão ou pelos patrocinadores. Uma época em que cada atleta que envergava o manto sagrado do meu time era para mim um ídolo eterno, um herói acima de qualquer crítica.

Esse menino é a representação da imagem de cada criança, que assim como ele, corre descalça chutando uma laranja por um terreno baldio, buscando a inexplicável alegria de fazer com que essa mesma fruta ultrapasse a linha imaginária que separa um par de chinelos, comemorando um gol, como se estivesse no Maracanã lotado. Nem todos aqueles envolvidos com a paixão que move o futebol têm a possibilidade de comprar uma camisa oficial, ou adquirir um ingresso, cada vez mais caro, para assistir aos seus heróis em uma das novas arenas construídas no País.

O pequeno torcedor da Chapecoense fez-me refletir e perceber, que para muitos, o futebol é o alento para uma vida sofrida. Tudo que ele tem agora é uma camisa surrada, os pés descalços e os olhos de tristeza. Ele me fez perceber que maior do que a dor de ver meu time perder, seria sentir a dor de perder meu time. Ver partir os heróis que carregamos conosco na vida adulta.

Não meus amigos, não é só futebol, é muito mais que isso. E assim será, por toda a eternidade.

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Sobre Rodrigo Barros

Rodrigo Barros
Empreendedor e escritor, Rodrigo Barros é bacharel em Biblioteconomia e em Sistemas de Informação, com pós-graduação em Gerência de Projetos e MBA em Gestão de Marketing.

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