terça-feira , 16 de outubro de 2018
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Porque os ídolos também precisam descansar em sua imortalidade

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Eu era menino quando ia ao Maracanã acompanhar os jogos do Fluminense com o meu pai. Não conseguia entender porque Washington jogava a frente do time, se meu pai dizia que ele era zagueiro. Hoje entendo, era apenas uma crítica injusta a um dos maiores artilheiros das Laranjeiras, o meu “velho” continua em sua saga de perseguir deliberadamente os atacantes do Fluminense, hoje a bola da vez é o Fred.

Nunca escondi de ninguém que meu maior ídolo é o Romerito, mas meu peito tem espaço para muitos outros jogadores do Fluminense, principalmente para aqueles do Tricampeonato da década de 80, que fizeram minha infância mais feliz e fortaleceram meu amor pelo Tricolor. Sempre me emociono quando vejo os jogadores daquela época, seja em vídeos antigos, ou em declarações nos dias atuais.

Tive o prazer de conhecer pessoalmente o Washington em 2009. Em um evento chamado “Washington Day”, em que foram arrecadadas doações para o ídolo que já sofria da enfermidade que levou a seu falecimento. Cheguei logo cedo às Laranjeiras, recebi uma camiseta do evento, das mãos de Heitor D´Alincourt, e fiquei pelo Clube esperando o instante de partir para o estádio. Conversava no bar do Seu Fidélis, quando fui alertado que o Washington estava na antiga sala de troféus. Dirigi-me a entrada do Salão Nobre quando o avistei. Não imaginava que ele estaria em uma cadeira de rodas, tive que engolir a seco a vontade de chorar para que pudesse chegar perto do meu ídolo.

Muitas pessoas a sua volta e ele sempre carismático, distribuindo autógrafos e sorrisos. Aproximei-me, e ele me estendeu a mão. Foram alguns segundos que para mim pareciam eternos. Não sabia se lhe sorria de volta ou se finalmente deixava as lágrimas escorrerem pelo rosto, era uma emoção que não me cabia. Num ato impensado, de carinho e gratidão, me ajoelhei em frente à cadeira de rodas e beijei seus pés. Imediatamente Washington disse: “Que isso rapaz, levante daí”. Eu ajoelhado a sua frente somente balbuciei enquanto as lágrimas enfim escorriam: “Obrigado, por tudo Washington”.

Naquele instante nos despedimos e nunca mais o vi pessoalmente. Fui ao Maracanã e enquanto a torcida fazia sua festa reverenciando o ídolo, eu estava do lado de fora, na rampa de acesso angariando fundos para ele. Somente cheguei à arquibancada no intervalo da partida, com a sensação do dever cumprido.

Hoje é um dia triste para mim, escrevo esse texto com lágrimas nos olhos e um aperto no peito, com a doce lembrança dos momentos de alegria que você me proporcionou Washington. Gostaria de dizer, que um dia nos encontraremos, mas penso não ser possível. Haverá um dia em que eu deixarei a vida carnal, mas não encontrarei com você em outro plano, porque você nunca vai partir.

Você é e sempre será eterno no coração de todo e qualquer Tricolor.

Obrigado Washington.

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Sobre Rodrigo Barros

Rodrigo Barros
Empreendedor e escritor, Rodrigo Barros é bacharel em Biblioteconomia e em Sistemas de Informação, com pós-graduação em Gerência de Projetos e MBA em Gestão de Marketing.

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