Eu escrevo desde menino. Incentivado pelo meu pai, arrisquei os primeiros versos ainda no jardim de infância. De lá pra cá foram muitos poemas. Sempre foquei na brincadeira de ser poeta e demorei pra perceber que poderia alçar voos mais altos. Há dez anos, eu estava meio que apavorado por fazer trinta anos, sentia que o tempo estava passando rápido demais, tinha medo de envelhecer, medo do futuro e me cobrava muito por tudo que ainda não havia conquistado, seja pessoalmente ou profissionalmente. Na ocasião, escrevi um texto e mandei por e-mail para os meus pais e para minha tia. Eu nem sonhava em divulgar o que escrevia, tinha por costume escrever, imprimir e guardar, impresso mesmo, não pensava nem em armazenar digitalmente.

Se não me falha a memória, minha tia repassou esse e-mail para alguns primos, com cópia pra mim. Acredito que todos tenham respondido, mas a resposta de uma das minhas primas ficou mais presente na memória: “Rodrigo, você virou escritor?”. Eu não tinha “virado” escritor, a única coisa que eu tinha em mente era colocar um pouco do que se passava em minha alma no papel, vez ou outra eu fazia isso, mas não me considerava escritor. Sempre pensei em ser um autor publicado, escrever um livro, e se não me engano isso está no texto que enviei a eles. Não o li antes de escrever essas palavras, não queria ser influenciado por ele. De qualquer forma, era um sonho distante, aquelas coisas que a gente sonha em fazer antes de morrer e acaba morrendo sem fazer. Eu sonhava basicamente em publicar um livro com os meus poemas, nada além disso.

Minha primeira obra-prima nasceu dois anos depois, e não foi um livro. Minha filha Heloísa mudou a maneira de me fazer enxergar o mundo, a percepção sobre tudo em minha volta mudou. Finalmente pude entender os meus pais, suas escolhas, suas broncas e o amor infinito que me dão desde o primeiro instante, no distante ano de 1977. Depois que ela nasceu, eu voltei a escrever, coisa que não fazia desde o texto dos meus trinta anos, claro que eu sempre escrevia alguma coisa, produzia conteúdo, mas era diferente, eram notícias, artigos científicos para a universidade, mas não tinha a “alma” do escritor ali. Arrisquei-me a escrever alguns contos, mostrei pra algumas pessoas e me convenceram a publicá-los neste espaço. Fui ganhando leitores, críticas e aprimorando a escrita. Eu não ainda não tinha percebido que o dom de escrever me acompanhava, e era bem mais que um hobby.

Lembro de uma frase que minha tia me disse ao ler o texto dos trinta anos, em 2007, quando escrevi que acreditava ter encontrado mais uma vez a mulher da minha vida: “O mais importante nessa trajetória, entre erros e acertos, é nunca desistir de encontrar a mulher da sua vida”. Eu nunca desisti. E então conheci a minha Janaína, que entre tantos abraços, beijinhos e carinhos sem ter fim, colocou definitivamente em minha cabeça que eu era um escritor. Lancei meu primeiro livro há dois anos e publiquei outro no ano seguinte. Ganhei concursos literários, recebi premiações e fui publicado em mais nove livros. Fui convidado para a bienal do livro em São Paulo e já recebi um novo convite, agora para a bienal do livro no Rio de Janeiro. No próximo mês lanço um novo livro e se tudo ocorrer bem, eu terei ainda mais novidades até o final do ano.

Nos últimos dez anos muita coisa aconteceu, o Fluminense seguiu me emocionando, seja com as lágrimas de tristeza pela perda de duas finais sul americanas consecutivas ou com as muitas lágrimas de alegria com as glórias conquistadas, entre elas dois campeonatos brasileiros. Eu também conquistei muitas coisas, trabalhei em grandes empresas, tentei empreender sem muito sucesso, conquistei outras formações acadêmicas e estou em uma nova tentativa de empreender para conseguir a estabilidade financeira que todo mundo busca. Tudo isso trata-se apenas de sobreviver e nada mais. Viver mesmo, eu vivo quando escrevo, e tanto faz minhas formações, se estou empresário ou se estou funcionário, eu sou e sempre fui um escritor.

E assim será até o fim dos meus dias.

Se tiver curiosidade, o texto sobre os meus trinta anos pode ser lido AQUI

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Rodrigo Barros

Escritor e roteirista, Rodrigo Barros é bacharel em Biblioteconomia e em Sistemas de Informação, com pós-graduação em Gerência de Projetos e MBA em Gestão de Marketing. Seu último livro lançado é “Da Rebelião à Glória”, pela Editora Multifoco, em 2016.

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