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Não, nós não somos macacos

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É interessante notar a comoção nas redes sociais em apoio ao jogador Daniel Alves, jogador do Barcelona e da Seleção Brasileira, vítima de atos de racismo na Espanha.  Não entrarei no mérito do fato ocorrido, já que li sobre a probabilidade de que o ato poderia ser de xenofobia e não racismo. Sim, em muitos Países, como a Argentina, os Brasileiros são chamados de “Macacos” de uma forma geral. Interessante notar, que o jogador citado não é negro, já que tem tom de pele clara e olhos verdes, contudo, trás os traços que todo o povo brasileiro traz consigo, mais ainda na região do Nordeste.

Racismo ou não, o ato de atirar uma banana em campo, chamando um jogador de macaco é de fato uma ofensa e deve ser combatido com veemência, mas a comoção do povo brasileiro, induzido por artistas de uma forma geral com a frase “somos todos macacos” é um equívoco. Não, nós não somos macacos, somos seres humanos. Nenhum problema com os outros primatas, mas não somos macacos e não devemos ser comparados aos demais animais quando o intuito é a ofensa. Quando aceitamos a ideia de que todos somos macacos, distribuímos a ofensa entre todos. O ato de racismo diluído entre famosos e anônimos, brancos e negros, índios ou mestiços, não o diminui, ao contrario, apenas banaliza algo que deveria ser combatido.

Aos que defendem a ideia, alegam que segundo Darwin e sua teoria da evolução, somos descendentes diretos dos macacos, o que não é uma verdade, é mais um equívoco alardeado repetidamente até se tornar um censo comum. Existe sim na teoria da evolução a ideia de que todos os primatas atuais, entre eles os seres humanos, podem ser descendentes de um mesmo ser, que poderia ou não ter características mais próximas aos dos símios, mas isso é só uma teoria já que esse “Elo Perdido” jamais foi encontrado. Um chimpanzé nunca seguirá evoluindo até se tornar um ser humano. Não, não viemos dos macacos, não somos macacos e não devemos aceitar ofensas, sejam elas racistas, xenofóbicas, ou homofóbicas, e assumir pra si a ofensa de outrem não ajuda no combate e sim a transforma em brincadeira um assunto que deveria ser levado muito a sério.

Uma equipe de cientistas do Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano e das Universidades da Pensilvânia, de Washington e da Califórnia, comparou o material genético do homem com pedaços de DNA de outros animais, e curiosamente o que mais se assemelha ao DNA humano é o de um rato e não o de um macaco. Considerando ainda que quem criou a ideia do “somos todos macacos” foi uma agência de publicidade, que já está faturando com branding em vários periódicos online, e que já temos “famosos” tentando faturar em cima de um ato de racismo com a venda de produtos, chego à conclusão de que temos muito mais ratos do que macacos entre nós.

Talvez esteja em nosso DNA.

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Sobre Rodrigo Barros

Empreendedor e escritor, Rodrigo Barros é bacharel em Biblioteconomia e em Sistemas de Informação, com pós-graduação em Gerência de Projetos e MBA em Gestão de Marketing. Fundador e editor chefe na Cartola Editora.

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