Kindle paperwhite: Prático como você

Rubia

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Havia terminado uma apresentação sobre ensino à distância na Faculdade de Educação da UFRGS. Os demais palestrantes decidiram por sair juntos e curtir a noite de Porto Alegre. Até cogitei fazer o mesmo, mas precisava voltar na manhã seguinte para o Rio de Janeiro, quando também participaria de um seminário sobre o uso do Moodle nas universidades. Preferi então jantar alguma coisa e depois voltar ao hotel com o objetivo de descansar bem durante a noite. Perguntei a um professor local sobre um bom restaurante pelo bairro e ele me indicou algumas opções: botecos, temakerias e pubs, além de um shopping próximo.

Pensei em ir ao shopping, pois fazia tempo que queria comer uma boa pizza, e talvez por lá encontrasse o que procurava. Fui orientado então a visitar o Restaurante “Só Comes”, na Cidade Baixa, que não tinha o ambiente de compras de um grande shopping e onde poderia comer com mais calma sentindo o clima de Porto Alegre. Cheguei ao local e logo me senti a vontade com o ambiente. Tinha uma bela área externa, mas como fazia um pouco de frio, preferi me acomodar na parte de dentro do restaurante. Sentei-me em uma das cadeiras próximas a uma televisão que passava alguma partida do campeonato brasileiro.

Assim que fui abordado pelo garçom, pedi uma cerveja e brinquei com o fato das cadeiras serem vermelhas e estar passando um jogo do Internacional na TV, o dono da casa deveria ser colorado. O garçom não fez muita questão de sorrir e me disse em tom ríspido: – Sou gremista, quero mais é que percam. Sempre acho divertida a rivalidade local. Comecei a beber enquanto esperava a pizza de calabresa que havia pedido. Até pensei em comer a especialidade da casa, mas como tinha coração de frango, que não gosto muito, foi à tradicional mesmo. Focava minha atenção parte no jogo, parte no celular, até que avistei em uma mesa próxima, uma moça que me parecia estrangeira. Estava com mais duas amigas e sorriam bastante, tentei prestar mais atenção no que conversavam, para descobrir se falavam português.

Eram brasileiras, coloradas e estavam brincando com o garçom, já que o Internacional acabava de abrir 2 a 0 sobre o Bahia. As outras duas moças eram também bonitas, mas não me chamavam atenção como ela. Loira, com olhos da cor de pedras de jade, lábios grossos e convidativos. O curioso é que alguma coisa me dizia que eu a conhecia de algum lugar, mas não me recordava de onde. Segui observando-a até que a pizza chegou. Enquanto jantava reparava em como ela se portava a mesa. Sorrisos, suavidade ao tocar os belos lábios na taça de vinho. Eu estava encantado em admira-la.

Minha óbvia fascinação não passaria despercebida pelas outras pessoas da mesa, e logo começaram os cochichos, e os sorrisos para que ela também percebesse o que ocorria. Ela me olhou enfim. Seus olhos verdes me perceberam de uma maneira que não pude continuar com o olhar em sua direção, abaixei a cabeça como se aquele instante tivesse sido ao acaso. Voltando minha atenção em sua direção, ela levantou-se e veio me cumprimentar.

– Oi. Você não está se lembrando de mim, não é?

Sorri meio constrangido, porque não fazia ideia de onde a conhecia, mas a impressão que tive assim que a olhei estava correta, eu já a havia admirado antes de alguma maneira. Desculpei-me e expliquei que realmente tinha a impressão de conhecê-la, mas não fazia ideia de onde. Apesar da situação pouco confortável, ela me pediu pra sentar e conversar um pouco. Lembrou-me de que me seguia no Twitter e que trocávamos mensagens vez ou outra sobre os mais diversos assuntos, incluindo futebol. Pronto, identifiquei de quem se tratava, e mais uma vez pedi desculpas antes de continuar o papo.

Perguntou-me o que fazia em Porto Alegre, pois nunca imaginou me encontrar por ali. Expliquei sobre o seminário na UFRGS e que queria apenas comer uma pizza antes de voltar ao hotel. Prosseguimos com a conversa e com a feliz coincidência de nos encontrarmos ali, ao acaso, depois de já termos trocado palavras online através de uma rede social. Enquanto conversávamos, discretamente seguia admirando-a, desejando seus lábios rubros, fitando seus olhos, e me entorpecendo em seu perfume. Fazia tempo que não me aproximava de uma mulher tão bonita e interessante. Ela não só era de uma beleza estonteante como também de uma inteligência acima da média, e inteligência me é afrodisíaca.

Enquanto bebia mais uma cerveja, ela tomava outra taça de vinho, e eu já não fazia mais nenhum esforço para que ela não percebesse que estava embasbacado com a sua presença. Entre um papo e outro, ela sempre sorridente, deixou escorrer um pouco de vindo pelos lábios, no que prontamente a ajudei a secar com o guardanapo, passando os dedos de leve em sua boca. Ela cerrou os olhos, e aquele pequeno instante me parecia à eternidade. Enquanto minhas pernas tremiam, meu coração acelerava e minha única intenção naquele momento era que nossos lábios se tocassem, alisei seus cabelos enquanto olhava fundo naqueles olhos verdes. Quando aproximei meu rosto do seu na intenção do beijo, suas amigas se aproximaram avisando que iam embora e que a deixariam ali comigo. O transe desfeito e a expressão de constrangimento era nítida em nossos rostos. Ela pegou sua bolsa e disse que iria com elas.

Tentei demovê-la da ideia, e pedi para que ficasse comigo, quando com um beijo no rosto se despediu, me entregando um cartão com seu número de telefone e dizendo:

– Da próxima vez que vier a Porto Alegre, e se lembrar de quem eu sou, me liga… Quem sabe eu fico.

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Sobre Rodrigo Barros

Empreendedor e escritor, Rodrigo Barros é bacharel em Biblioteconomia e em Sistemas de Informação, com pós-graduação em Gerência de Projetos e MBA em Gestão de Marketing. Fundador e editor chefe na Cartola Editora.

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